Psicólogos e psicanalistas só ouvem?

Essa é uma coisa bem comum de se ouvir, tanto na forma de questionamento, quanto crítica ou queixa. Para cada teor de pergunta, uma resposta.

Em se tratando de questionamento:
é importante que o profissional mais escute que fale.

A fala é o meio pelo qual o profissional “examina”, “analisa” o que está acontecendo. E ele fala pouco para manter um assunto em pauta, para esclarecer um ponto obscuro, para realçar uma fala que pareceu “meio solta” ou “aleatória” e que pode carregar uma importância que o paciente não seu deu conta.

Isso precisa sempre ser assim?
Depende.

Para cada paciente uma dose diferente de silêncio. Se pensarmos que para algumas pessoas a solidão é uma questão muito complicada de trabalhar, pode ser que neste caso, o analista tenha que mostrar que está ali mais vezes. Entretanto, chegará a hora em que essa dificuldade de lidar com solidão seja colocada à prova e se torne uma questão para ser tratada na análise. Ou seja, mesmo que seja considerado que o sintoma do paciente requeira um ritmo singular, isso não quer dizer que ele deverá ser ignorado pelo analista, devendo ser tratado na medida do suportável, sem comprometer a análise, seja por paralisia ou pelo oposto.

Em se tratando de silêncio:
– ele é necessário, mas também tem a sua dose.

Quem fala é aquele que se expõe, seja qualquer lugar. Portanto, um analista ou terapeuta que fique falando demais pode acabar tomando o espaço de seu próprio paciente, o que acaba sendo um bocado problemático, como ilustrei no conto ““Ir no psicólogo? Eu fui em uma que estava me deixando mais doida que eu era…” – Um louco no consultório –”.
A fala do profissional requer cuidado para ser utilizada com precisão, já que está lá como um bisturi, espaçadores, pinças e tantas outras coisas delicadas numa cirurgia. Com tudo isso voltado ao paciente, imagine o quão confuso não pode ficar se o profissional trazer suas questões para o atendimento alheio?

Há críticas ao silêncio, mas também requerem do paciente que ele fale sobre isso ao profissional, afinal, ele está lá para ouvir sobre isso também e, isso pode implicar numa revisão de como o tratamento é conduzido. Profissionais perfeitos não existem nem nunca existiram. Tenha certeza que para fazerem bons trabalhos, tiveram seus deslizes e que precisaram repensar algumas de suas condutas.

Ou seja, em relação às queixas quanto ao silêncio do profissional, é preciso que elas também sejam levadas a ele, pois isso também é assunto para análise ou terapia.

(artigo revisado em 21 de setembro de 2019 e em 25 de fevereiro de 2020)

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