Crise econômica ou resistência?

Não vou me aventurar a falar sobre a nossa economia, política ou etc.  Que tem havido aumentos nos preços e que nossa renda tem rendido menos… isso é fato.  Mas, e quanto ao que acontece no consultório?  A crise econômica pode afetar o trabalho analítico ou terapêutico?

Depende.

Para responder, mais interrogações:  uma análise pode ser afetada por uma questão econômica que, por mais estranho que pareça, não é uma questão econômica?

Sim.

Estranho, não?  Mas isso ocorre pois a resistência pode se mostrar através de diversas faces.

Em psicanálise resistência não é a sua capacidade de correr, de sobreviver à chuva, ao sol ou coisa parecida.  É um pouco mais complicado.  Tente imaginar um sujeito que utiliza junto de si um escudo mágico (se imaginou o Eric da Caverna do Dragão, ótimo, é perfeito para essa metáfora).  Para se proteger dos inimigos, ele abaixa-se e fica atrás de seu escudo indestrutível.  Mas não apenas se protege, como ele também deixa de ver aquilo que supostamente é uma ameaça.

A resistência funciona da mesma forma.  O sujeito a traz consigo para se defender de algum assunto incômodo de uma forma que se não puder ver do que se trata, melhor ainda.  Isso inclui evitar uma situação ou um sujeito que irá incitá-lo a olhar por cima do escudo.  Noutras palavras, usar da resistência é também evitar uma espécie de campo de guerra, isto é, evitar uma análise e seu analista  Ou qualquer outro tipo de terapia, incluindo as que fazem intervenções físicas ou clínicas.

A análise ou as outras terapias tenderão a tocar em feridas e isso não é algo que possa ser chamado de agradável.  É importante, essencialmente isso, é importante.  O analista está junto de seu paciente para ajudá-lo a ver, a não perder de vista suas questões.

Nesse momento em que o escudo parece não ser suficiente para contra o nevoeiro do inconsciente, surge uma tentativa de evitar essa luta que é uma terapia.  O paciente pode culpar uma dor de cabeça pela sua falta na semana anterior.  Pode justificar um atraso e culpar o trânsito quando sabia que teria que atravessá-lo.  Pode culpar até o relógio pelo simples fato de no dia da análise ele ter andado mais rápido que o de costume…  A questão é que o paciente pode sim por a culpa em alguma coisa para não ter que comparecer à análise, inclusive, por a culpa na crise econômica.

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