“Não preciso disso, já converso com as pessoas…” … mas, terapia é pra conversar?

Às vezes, conversando informal, ou formalmente com as pessoas elas podem levantar algum assunto que vai cair naquela fala…:  “é da cabeça”. E sendo da cabeça, não é raro quem ache que isso se resolverá numa conversa.

 

Eu diria que é algo no que se pensar, afinal, isso abre portas pra muita conversa.

 

Vamos pensar no básico de uma conversa, onde você tem um emissor e um receptor. Ok, um fala e outro escuta, se assim preferir.

Pois bem, quando você recebe uma mensagem (seja dita, escrita ou gestual), é natural que isso mobilize algo em você. Você pode não dar bola, fingir que não ouviu ou que não deu bola, se sensibilizar, ficar curioso e trocentas outras coisas. O ponto importante é:  uma conversa pode mexer com as pessoas.

Quando falo de mexer com as pessoas, isso implica muitas vezes nelas tentarem desconversar ou se sentirem impelidas a dar respostas que nem sempre vão ter.  O resultado pode ser tais pessoas ficarem tensas, temerosas ou irritadas, simplesmente por não conseguirem discernir, que o que está lhe sendo apresentado é a própria demanda de quem fala.

 

Complicado não?…

 
Um exemplo mais simples:  você vai ali na rua reclamar do barulho do seu cachorro pro vizinho, mas não cita, num primeiro momento, que é seu próprio cachorro que está lhe incomodando, dizendo apenas: “nossa, mas que barulheira!!” Como resultados possíveis (dentro um cabedal deles), temos:

– um vizinho pavio curto poderá lhe mandar viajar, passear ou outra coisa que não vem ao caso;

– ele poderá se defender, dizendo que é a máquina de lavar que está com problemas, ou mesmo que é o cachorro que está latindo pra algum gato.

– outro pode dizer que você não tem o direito de reclamar do barulho, pois você é o vizinho barulhento do quarteirão.

– algum pode lhe perguntar de qual barulho você está falando.

 

Pois bem, o que quero dizer é que ouvir o outro não é uma tarefa fácil e que quanto mais profunda a conversa, mais difícil é. Conversar superficialmente sobre algo que incomoda é relativamente fácil, mas vá se aprofundar, buscar uma compreensão maior, buscar uma direção… Para falar de si mesmo, é preciso ceder. Não um ceder qualquer, é é preciso baixar a guarda, inclusive guardas que você próprio sequer percebe.  É aí que entra mais um aspecto do trabalho terapêutico, estar ali pra botar o dedo na ferida, mas de acordo com o que você pode lidar naquele momento.

Um trabalho com um psicólogo (dentro de um consultório ou noutro contexto) não é e nem se resume a uma simples conversa ou bate-papo. É se aprofundar no eu.  É mais que olhar no espelho e com ele buscar respostas.

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