Falta de tempo e dinheiro no final do ano.

Há anos atrás, num tempo onde haviam definidas estações do ano, era comum que algumas coisas acontecessem com frequência.  Poderia enumerar várias, mas vamos nos deter no dezembro, que é onde estamos hoje.

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Opa, não precisamos ir tão longe no passado!

Com relativa naturalidade as pessoas cumpriam seus recessos de final de ano e acabavam visitando umas às outras. Os telefones eram coisas de poucos e nos orelhões haviam filas para conversar com quem era de muito longe, sem contar quando não era preciso ficar perto de algum dos “comunitários”, que eram aqueles que além de fazer, recebiam ligações.

Mesmo no hospital, não era diferente.  Tal como ocorre em prontos-socorros em feriados ou nas noites frias, havia uma queda do número de internações e de ocupação de leitos.

Não só prontos-socorros, mas enfermarias tinham queda de movimento. Atualmente cabe considerar também que a piora na renda faça as pessoas migrarem dos serviços particulares para o SUS.
Não só prontos-socorros, mas enfermarias tinham queda de movimento. Atualmente, cabe considerar que a piora na renda da população faça as pessoas migrarem dos serviços particulares para o SUS.

Nenhuma das duas situações atualmente se mantém, a não ser nos ares e esperanças nostálgicas de quem viu e vivenciou isso.  Hoje em dia as pessoas estão trabalhando no decorrer de dezembro inteiro e quanto aos hospitais, funcionam como noutras semanas do ano, com alta ocupação e internações de rotina.

As pessoas pararam de se preocupar com o final de ano?

alone-764926_960_720Talvez sequer pensem nisso.  Talvez nem tempo tenham.  Agraciadas com seus celulares, com possibilidades de encurtar o caminho da saudade com uma mensagem pelo Whatsapp ou ligações de vídeo, hoje há maiores possibilidades de interação indireta umas com as outras.  Sem entrar em méritos de valor, fica óbvio que o tempo dedicado à interação tem sido reduzido para ser preenchido por meios alternativos e mais trabalho.

Não por acaso, pessoas tentam ludibriar as instituições recorrendo aos hospitais e à possibilidade de receberem atestados. Atestado é uma coisa fácil de se obter desde que você seja bem mal avaliado por um profissional, daquele tipo que não respeita a sua própria profissão e a quem pouco importa o próprio registro profissional.

Mas o que significa pessoas fazendo uma coisa dessas? Porquê um pronto socorro ficaria (e na realidade fica) cheio de pessoas querendo atestados, ainda que não seja essa a intenção declarada ou mesmo consciente, nos finais de semana, feriados e finais de semana?

Sem entrar em discussões aprofundadas sobre personalidade, uma das razões para isso pode ser um mecanismo para tentar driblar a falta de tempo.  Com um atestado, há um ganho óbvio de ócio frente a alguma outra coisa, como o trabalho.  O trabalho do sujeito pode ser muito ruim sem que ele se dê conta disso, à ponto de deixá-lo à iminência de, ou em crises de pânico.  Essa é uma das razões pelas quais é difícil a cessão de atestados psicológicos (sim, podemos), pois a grosso modo, não se oferece ganhos àquilo que é ou que poderá virar uma doença.

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Exames realizados por profissionais mais dedicados não levarão à atestados por quaisquer razões. O que naturalmente não exclui avaliações superficiais que deixam de detectar problemas importantes.

Detenhamo-nos num tipo de pessoa que nem está tão ruim assim, mas que não vai pedir um atestado, que você sabe que ela jamais faria isso.  Ela pode recorrer ao serviço de saúde para uma avaliação por conta de um mal estar inespecífico que no final de contas parecerá uma ressaca, da qual ela melhorará espontaneamente. Entretanto, o que ela consumiu e o tempo de se passou não justificaria uma ressaca, mas o mal estar está ali presente ainda. E porque?

Uma possibilidade, é uma manifestação psíquica, um deslocamento de sintoma.  A sua insatisfação de ter que voltar ao trabalho, de ter que trabalhar em um período festivo ou de recesso manifesta-se num sintoma que tende a prejudicar ou mesmo paralisar sua atividade laboral.

photolenta_big_photoNão cabe excluir a existência de malícia para tentar cavar atestados e etc., afinal, muitas pessoas têm optado por seguir modelos prontos para burlar regras e assim obterem vantagens.  Quanto aos modelos, temos um monte, e não vou gastar linhas escrevendo sobre os mais crassos exemplos disso.

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Importante é considerar que além de um desejo de obter mais tempo livre, há, por outro lado, ideais que são pulverizados sobre a população, como aquele velho:  “quem não trabalha é preguiçoso”, dentre tantos outros, que só poderiam ser ditos por aqueles que já estão em suas redes descansando enquanto outros se arrastam em fiapos de corpo e alma.  O resultado disso são de brigas e mais brigas entre as classes já menos privilegiadas, que acabam se dividindo entre aqueles que querem mudar as coisas, os que querem burlar as instituições e aqueles que preferem manter tudo como está ou, deixar as coisas seguirem de acordo com um ideal alheio e incompatível com a realidade dele próprio.

O ócio é importante não apenas para a recuperação de energia e reparação do organismo, mas serve também para reparar e recuperar as relações humanas, não sendo por acaso, que nos trabalhos institucionais perceba-se que equipes que estão mais dispostas e com melhor relacionamento interno, gozam de ócio juntas.

Dessa forma, é importante pensar que se o ócio é feito para ser aproveitado, então não há razão para assolar de críticas o blogueiro, o jogador de futebol, o músico, o cineasta ou outros artistas, pois o trabalho deles é entreter e ajudar a preencher melhor… o ócio alheio.  A vida não é só trabalho e quem diz que é, certamente não vive (é um pobre alienado) ou tem quem trabalhe pra ele (um alienador).

Feliz ano novo, meus caros.

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