“Bebi todas e fiz o que não queria!!!” – Verdade ou mentira?

barbie-1366378_1280Quem diz que bebeu todas e fez o que não queria pode incorrer em ambas as coisas. Sim, em ambas as coisas, tanto em ter feito o que queria quanto não, o que é uma clara manifestação de conflito.

O que acontece afinal?

Basicamente, o álcool ajuda a “derrubar” barreiras do recalque.  O recalque é um mecanismo que coloca lá pro fundo do inconsciente, aquilo que a consciência não pode suportar.

Por exemplo:

– uma moça jovem, que nem namorou e nem ficou com muitas pessoas mas, que de alguma forma viu com grande interesse sair à noite e, digamos, transar com algum ilustre desconhecido. Antes mesmo de perceber seu desejo, xingou a amiga que acabara de confessar-lhe ter findado a noite no motel e, como se diz, ainda falou um monte, aplacando com o desejo da outra, além do próprio. Na semana seguinte, sem que percebesse, resolveu que iria beber um pouco mais e quando percebeu, acordou no motel com um desconhecido sem nem se lembrar do que havia acontecido. Ao retornar para casa, consumida por culpa e dores de cabeça, guardou o assunto para si mesma.

Hipocrisia?  Eu não definiria dessa forma, pois em alguns momentos a pessoa já se culpa o suficiente, então não é preciso pisar sobre o calo ferido.

A questão reside no princípio do prazer, no ID (ou Isso)! A sede e sede do desejo!

Ter um desejo não significa que ele possa ser satisfeito e pronto.  Nem tudo que é desejado pode ser feito e disso decorre a formação de outras instâncias da mente, como EU e SUPER EU (ego e superego). Ou seja, na medida em que ocorrem “conflitos” entre o desejos e seus impedimentos, vão sendo levantadas barreiras intrapsíquicas que vão permitir que a pessoa consiga viver dentro de certos limites evitando mais e mais conflitos.

Sem complicar muito (afinal limite demais pode ser indicador de neurose), quando a pessoa bebe muito, as barreiras de julgamento caem e o que acaba se sobressaindo é o desejo dela.  Passado o efeito, ela voltará a ser quem é normalmente e poderá sofrer com culpa por ter feito coisas que em condições “normais”, não faria.

No exemplo que dei, a garota em questão poderia ser uma mulher bastante religiosa e dedicada, portanto, vivendo com barreiras mais rigorosas diante de sua sexualidade. Por essa razão, para viver mais plenamente sua vida, seria necessário que ela conseguisse lidar melhor com tais mecanismos que, certamente, a impediam também de viver com mais intensidade noutros aspectos, comprometendo outras decisões e escolhas.

Ou seja, para romper barreiras é preciso também estar pronto para lidar com tais rupturas. O fato de haver um desejo recalcado não serve para crucifixar alguém que ultrapassou os próprios limites, tampouco justificaria se aproveitar dela. Se fosse assim, haveria um caminho para validar afirmações como as de que uma mulher merece ser estuprada por usar roupas mais insinuantes ou por ousar se colocar em “situações de risco”.  Dessa forma, ainda estaríamos desconsiderando que uma escolha da pessoa pode ser não violar determinado limite, como por exemplo:  sair à noite, se insinuar e, não ficar com ninguém.

Bom Carnaval!

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